Se Ustra foi o rosto da tortura militar, Sérgio Paranhos Fleury foi o punho armado da repressão policial. Delegado do DEOPS, chefe de operações clandestinas, ele se fez temido como caçador de opositores. No subterrâneo da ditadura, seu nome ecoava como sentença: quem caía em suas mãos dificilmente escapava da dor ou da morte.
Fleury foi artífice da crueldade: choques, sufocamentos, espancamentos, execuções sumárias. Misturava o uniforme da polícia com o capuz dos esquadrões de extermínio, encarnando a fusão entre o Estado e o crime. Transformou a tortura em método, a violência em rotina, a morte em expediente.
Protegido pela ditadura, atuava na penumbra como herói dos algozes e carrasco dos inocentes. Sua morte em 1979 — oficialmente por afogamento, mas envolta em sombras — encerrou a biografia de um homem que nunca respondeu na Justiça por seus crimes.
Lembrar Fleury é lembrar que a repressão não foi obra de um só nome, mas de um sistema. Ele simboliza a engrenagem policial que, a serviço da ditadura, esmagou vidas, apagou vozes e semeou o medo.
Rio de Janeiro, 13 de setembro de 2025.