O nome de Carlos Alberto Brilhante Ustra não se confunde com o de um simples militar. É o rosto da tortura institucionalizada, o símbolo de um Estado que, sob a capa da ordem, mergulhou no abismo da barbárie.
No comando do DOI-CODI de São Paulo, Ustra transformou o subterrâneo da ditadura em câmara de suplícios: choques elétricos, afogamentos, espancamentos, humilhações. Vidas esmagadas em nome de um regime que temia a liberdade. Famílias despedaçadas. Corpos desaparecidos. Silêncios forçados.
Ustra foi o primeiro militar reconhecido pela justiça brasileira como torturador — título que, longe de desonra, carregou com arrogância, defendendo até a morte o aparato repressivo que comandou. Enquanto vítimas clamavam por memória, verdade e justiça, Ustra ainda era exaltado por vozes que preferem a sombra à claridade da História.
Lembrar Ustra é lembrar que a tortura não é mito, é cicatriz. É reconhecer que o terror de Estado deixou marcas que o tempo não apaga. É advertência: quando a memória se apaga, a violência pede passagem.
Rio de Janeiro, 23 de setembro de 2025.