Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Meu Eu-poético sente saudades de algo eterno, do qual não se consegue lembrar... (Sílvia Mota)
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Geopolítica: o poder inscrito no espaço

 

A palavra geopolítica designa o campo do saber que investiga como o espaço geográfico — com suas fronteiras, recursos, rotas e populações — condiciona e orienta as estratégias de poder no sistema internacional. Desde sua formulação inicial, no início do século XX, a geopolítica foi marcada por visões deterministas que buscavam explicar a ascensão ou o declínio das potências em função de sua posição territorial.

 

Autores como Halford Mackinder, com a teoria do Heartland, ou Nicholas Spykman, com o conceito de Rimland, tentaram mapear quais regiões do planeta seriam decisivas para o domínio mundial. Embora tais visões tenham sofrido críticas por simplificar a complexidade das relações internacionais, elas influenciaram profundamente a prática política de Estados e impérios ao longo do século XX.

 

Com o tempo, a geopolítica deixou de ser vista apenas como uma disciplina da geografia ou da estratégia militar. Passou a incorporar variáveis econômicas, culturais, tecnológicas e ambientais. Hoje, falar em geopolítica implica analisar desde a disputa pelo petróleo no Oriente Médio até a guerra da informação no espaço digital, passando pelo impacto das mudanças climáticas no Ártico ou na Amazônia

 

Geopolítica do Brasil: potencial e contradições

 

A geopolítica brasileira sempre se construiu em torno de uma questão central: como transformar as vastas dimensões territoriais e a abundância de recursos naturais em poder efetivo no cenário internacional.

 

Segundo Bertha Becker, a Amazônia é a chave da geopolítica nacional. Para ela, essa região não é apenas um espaço de biodiversidade, mas uma fronteira estratégica de recursos em disputa global. A pressão internacional para preservação ambiental, de um lado, e o interesse econômico interno, de outro, revelam o dilema brasileiro entre soberania e cooperação. Becker insistia que a defesa da Amazônia exige política de Estado, não apenas retórica de governo.

 

Wanderley Messias da Costa reforça que a geopolítica brasileira precisa ser compreendida em um contexto maior: o da economia-mundo. Para ele, o Brasil é uma potência regional, mas sua posição global ainda é frágil. O país ocupa um lugar de destaque na América do Sul, mas não conseguiu consolidar um projeto estratégico que transforme influência regional em liderança internacional.

 

Antonio Carlos Robert Moraes oferece uma leitura crítica da geografia política no Brasil. Em sua visão, a formação territorial brasileira está marcada por desigualdades históricas e por um Estado que, muitas vezes, privilegiou interesses externos em detrimento de um projeto autônomo de desenvolvimento. Ele chama atenção para a necessidade de uma geopolítica que articule soberania com justiça social.

 

Já Iná Elias de Castro destaca o papel das instituições e das escalas de ação política. Para ela, a geopolítica brasileira não pode ser pensada apenas como projeção internacional, mas também como articulação entre o território interno, os estados federativos, as cidades e as regiões. A integração entre política nacional e realidade local é essencial para que o país atue de forma consistente no exterior.

 

Por fim, na obra conjunta de Bertha Becker e Cláudio Egler, o Brasil aparece como uma “nova potência regional” com potencial de inserção ativa na economia global. Porém, esse protagonismo depende de superar a dependência tecnológica, a fragilidade das políticas industriais e as crises cíclicas que limitam a estabilidade interna.

 

Assim, a geopolítica do Brasil oscila entre grandeza e vulnerabilidade. A Amazônia, o Atlântico Sul e o Mercosul oferecem oportunidades únicas de influência. Mas a instabilidade política, as desigualdades sociais e a dependência externa continuam a minar a capacidade de transformar o potencial em poder real. O desafio está em construir um projeto nacional capaz de integrar território, sociedade e política externa.

 

Referências

 

BECKER, Bertha K. Geopolítica da Amazônia: a nova fronteira de recursos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.

 

BECKER, Bertha K.; EGLER, Cláudio. Brasil: uma nova potência regional na economia-mundo. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1993.

 

COSTA, Wanderley Messias da. Geografia Política e Geopolítica: discursos sobre o território e o poder. São Paulo: Hucitec, 1992.

 

MORAES, Antonio Carlos Robert. Geografia: pequena história crítica. São Paulo: Annablume, 2002.

 

CASTRO, Iná Elias de. Geografia e Política: território, escalas de ação e instituições. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Enviado por Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz em 09/09/2025
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