Reconhecer desigualdades não é vitimismo — é encarar a realidade para transformá-la.
Chamam de vitimismo quando alguém aponta as desigualdades sociais. É o rótulo fácil, a palavra de ordem dos que não querem encarar o óbvio: há feridas abertas na carne do país. Reconhecê-las não é choro, é coragem. É olhar de frente para o que muitos preferem esconder debaixo do tapete da retórica.
A Educação é celebrada como panaceia. E é mesmo essencial — mas quem consegue estudar de barriga vazia, com a cabeça preocupada com o aluguel ou sem a mínima perspectiva de futuro? O discurso meritocrático esbarra na realidade: sem dignidade, emprego e condições básicas, a escola vira luxo de poucos.
A esquerda, com todos os seus tropeços, historicamente abriu caminhos importantes em Educação e Formação Profissional. Ignorar isso é má-fé. Mas ainda há quem prefira culpar o pobre por não vencer a corrida, esquecendo-se de que muitos largam sem tênis, enquanto outros já têm pista exclusiva.
Disciplina não se fabrica no grito nem na palmatória — nasce quando existem oportunidades, quando a justiça social cria um terreno fértil. E liberdade econômica sem regulação é miragem: transforma-se em selva, onde o grande devora o pequeno e chama isso de “livre mercado”.
Já disseram que liberdade é fazer o que não se quer. E também que o homem livre é, antes de tudo, um lutador. Mas como lutar sem forças? Quem está dominado pela fome, pela doença ou pela exclusão não conquista nada: apenas sobrevive.
A vida é escada, degrau por degrau. Só floresce onde há chão firme. Onde imperam a miséria e a indiferença, não se ergue liberdade — apenas o silêncio de quem foi condenado antes mesmo de começar a viver.