Vergonha, Brasil!
Vergonha global!
Vergonha gravada
na face da História!
No dia da Pátria
eleva-se a Pátria.
Ao som da ilusão,
no dia da Pátria
surgiu outro manto...
Não era o pendão
bem verde das matas,
nem fruto do sangue
vertido em batalhas,
nem voz das lembranças
guardadas no povo.
Ergueu-se bandeira
de império distante,
ergueu-se bandeira
de estranhas vitórias,
ergueu-se bandeira
em tom de gracejo,
que nega este chão.
E o filho da terra
curvado e servil
de corpo e de alma,
sem glória ou pudor,
forjou outra cor,
sem lume ou memória –
renúncia de berço,
sem beijo e sem canto.
Ó Pátria ferida,
há dor nessa boca
calada ao fragor
dos gritos alheios!
A independência
é terra lavrada,
é chama no peito,
não pano emprestado
em vil traição.
Vergonha, Brasil!
Vergonha global!
Vergonha gravada
na face da História!
Sílvia Mota
Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro, 7 de setembro de 2025 - 23h45