Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Meu Eu-poético sente saudades de algo eterno, do qual não se consegue lembrar... (Sílvia Mota)
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Textos

Cântico dos cânticos

 

Um poema erótico, da ternura de Iahweh, homem e mulher, encontra-se no livro Cântico dos Cânticos - Shir hashirim, genitivo superlativo da língua hebraica – da Bíblia semita. Texto inserido no coração da Bíblia, é pouco explorado na vida da Igreja. Ainda que polêmica, a sua origem atrela-se ao período do humanismo Salomônico (séc. IX), influenciado pela literatura predominante nas adjacências. Talvez, essa conotação – uma suposta autoria de Salomão - seja um dos motivos que tornou possível sua aceitação no cânon do Antigo Testamento, entre as Sagradas Escrituras.

Amoroso canto nupcial, coloca o amor humano em patamar sagrado. Desta forma, redime o ato original do pecado inserido nas mentes humanas, através dos tempos, pela fraqueza de Adão e Eva. O Cântico descreve com detalhes - e sem pejo - os relevos do corpo humano nu. Exalta-o. A única referência a Deus não surge sob a forma de agradecimento pela fruição daquele encontro de amor, sendo lembrado apenas no momento em que o amor se torna intensamente carnal: "Suas centelhas são centelhas de fogo, uma chama divina".

No decorrer do poema, o amado maravilha-se diante da amada, cuja beleza leva-o à perda dos sentidos:

 

“[...] Os teus pés...

como são belos nas sandálias,

ó filha de nobres;

as curvas dos teus quadris,

que parecem colares,

obras de um artista.

Teu umbigo... essa taça redonda

onde o vinho nunca falta;

teu ventre, monte de trigo

rodeado de açucenas;

teus seios, dois filhotes,

filhos gêmeos de gazela

pastando entre os lírios;

teu pescoço, uma torre de marfim;

teus olhos, as piscinas de Hesebon

junto às portas de Bat-Rabim.

Teu nariz, como a torre do Líbano,

voltada para Damasco;

tua cabeça que se alteia como o Carmelo,

e teus cabelos cor de púrpura,

enlaçando um rei nas tranças.

Como és bela, quão formosa,

que amor delicioso!

Tens o talhe da palmeira,

e teus seios são os cachos.

Pensei: ‘Vou subir à palmeira para colher frutos!’

Sim, teus seios são cachos de uva,

e o sopro das tuas narinas

perfuma como o aroma das maçãs.

Tua boca é um vinho delicioso

que se derrama na minha

molhando-me lábios e dentes [...]

 

Eis alguns dos apaixonantes versos da amada:

 

“[...] Eu sou do meu amado,

seu desejo o traz a mim.

Vem, meu amado,

vamos ao campo,

pernoitemos sob os cedros;

madruguemos pelas vinhas,

vejamos se a vinha floresce,

se os botões estão se abrindo,

se as romeiras vão florindo:

lá te darei meu amor...

As mandrágoras exalam seu perfume;

à nossa porta há de todos os frutos:

frutos novos, frutos secos,

que eu tinha guardado, meu amado, para ti [...]”

Trata-se de um amor em brasas, que não sucumbe a nenhuma intempérie: "As torrentes não poderiam extinguir o amor, nem os rios o poderiam submergir." Muito belo.

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Enviado por Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz em 05/04/2011
Alterado em 13/09/2026
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