Textos


 Sobre poetas e putas

Para aproveitar a data - Dia Nacional da Poesia - lá vou eu, pois incorrigível, a publicar/provocar polêmica! E, neste momento, decido por enlaçar as putas aos poetas.

Ao meu olhar, a puta do poeta é a sua própria inspiração, quando entendida como fêmea, que provoca o amado sem medos ou pudores, discriminações ou preconceitos... Sim, porque no atinente aos poemas como desenho da comunicação do poeta com um auditório, veda-se constitucionalmente a forma aberta ou velada de ofensa ao próximo, insira-se essa agressão tanto no âmbito particular quanto a um determinado grupo social.

O termo puta traz em si um delírio de sensualidade, uma perdição tentadora, um não sei o quê de solta e livre, que seduz ou acende o pudor de determinados pensamentos. Mas, à fantasia de homens e mulheres, o mesmo termo pode traduzir-se em recato. Imagine-se a mulher de olhar sibilino, mas cuidadoso, de vestes sóbrias quando no convívio social, mas que de repente, não mais do que de repente, desnuda-se em metamorfose de dama a pecadora, entre quatro paredes, aos braços do ser amado...

É tão instigante o símbolo da puta, que muitas mulheres de boa família tentam imitá-la, em vão, aos seus maridos ou namorados ou ficantes... A travestização (esta palavra existe?), de mulher insossa em puta nunca atingirá o objetivo final da sedução, porque a sensualidade que a puta expõe lhe é inerente. É sensual. Sabe ser sexual. Em diferentes condições de vida, casada fosse e tivesse um marido que correspondesse aos seus anseios, seria uma puta esposa! Por outro lado, inúmeras mulheres casadas alardeiam suas epopeias na cama com os próprios maridos, ignorando-se traídas em cada esquina, ou pior... a dissimular orgasmos nunca alcançados!

- Ihhhhh! Falar sobre essas coisas ofende! Cala-te!

- Calo-me, não!!! Por estudos científicos realizados, grande parte das mulheres nunca alcançou um só orgasmo, mesmo quando nos braços da pessoa amada. Outras, nem através de atos solitários. Por que? Porque não conseguem alcançar a liberdade mental no ato do amor. Só por isso. E, por isso tudo! Nada tem de comum com beleza ou feiúra, com obesidade ou magreza, com dinheiro ou pobreza, mas com preconceitos carregados sobre as costas durante MILÊNIOS! É feio isso, é feio aquilo, não faça isso, não faça aquilo! Para que a mulher altere essa conjuntura é necessário, primeiramente, libertar-se do ranço prejudicial e medroso que nutre pela sua feminilidade para, ao depois, desvendar - graciosa - a própria sensualidade!

A hipocrisia é inerente à sociedade humana. E, por vezes, destrói.

Por seu lado, o poeta é um ser transcendental. Difícil defini-lo, pois insere-se em diversos contextos: consegue amar sem ser um dos sujeitos daquele amor, descreve sem ter visto, pode até ser um mentiroso circunstancial, que ao mentir se expõe como um ser mentiroso. Por tal razão, é verdadeiro até quando mente! Mas, para que assim seja, necessita da tão decantada e mal compreendida inspiração. Nesse refrão, por tantas outras qualidades e defeitos, aceito que a inspiração do poeta deve ser puta de verdade, seja dura ou dengosa, amarga ou gostosa, triste ou alegre... Sempre exigirá atenção do poeta e do leitor. É fêmea vaidosa! Nenhuma rima ou métrica limitarão a expressão poética, porque a puta inspiração estará ali, estimulando o poeta ao gozo que se aproxima, só por entrever sua obra. E, tem que ser uma puta insaciável, porque a inspiração do poeta também não se deve saciar a um só poema. À puta são necessários muitos gozos. Ao poeta, vários poemas, provocados pela puta inspiração! No concernente a essa, cabe ao poeta ser tal qual as margens que contém as águas de um rio; não sob a finalidade de oprimi-la, mas para direcioná-la com sabedoria, evitando-lhe extravasar-se pelos campos da discriminação e do preconceito.

O poeta sem a puta inspiração, nada é. Mas, a puta inspiração sem um puta poeta, também de nada vale, porque se perde ou morre aprisionada e asfixiada num beco sem ar. Inútil escavar passagem pelo tanger medroso de dedos preconceituosos ao teclado, ou através de uma caneta sem tinta... porque a puta inspiração jamais se exporá ao mundo. Ao mesmo embalo, o puta poeta sucumbirá. Unos, serão livres, seja nos quatorze versos de um soneto, quanto numa quadra, ou, ainda, noutro poema de qualquer categoria. Não me refiro às regras poéticas, não! Canto o SENTIMENTO. Se o indivíduo teme expor-se, que escolha outros caminhos, porque poeta jamais será!

Eu-poeta, quando falo de amor, sou amor. Quando falo de tesão, sou tesão. Quando minh’alma chora, meus versos choram. Quando a primavera desabrocha em mim, os meus versos transmutam-se em rosas vermelhas. Se não for assim, serei tudo, menos poeta! Se me conheceres na rua ou nos recantos sociais assistirás uma vaidosa e, por que não dizer, charmosa dama. Vislumbrarás mãe rigorosa, que tanto ama. Descobrirás professora séria e cidadã cumpridora dos seus deveres. Não obstante, para ler meus poemas, será preciso que o faças com o coração, ou não compreenderás o significado da puta inspiração que ali assumo, com todos os holofotes acesos sobre mim. Nenhuma luz apagada, porque nada temo ou escondo. Nada em minha vida macula meu passado ou denigre meu presente. Por isso, sinto-me livre para afirmar: quando amo e me encontro corpo a corpo com o meu amor, transcendo: sou mulher, criança, flor, poema, música, renda, cetim, perfume, dama, céu, estrela... e puta! Afinal, não posso e não me desejo desvencilhar desse doce pecado de ter nascido mulher sensual, que se expressa através das ciências jurídicas, da música, das artes plásticas e, com sofreguidão, através da poesia!

Poeta e puta inspiração são inseparáveis, porque a inspiração não tem abrigo a não ser no poeta que não encontra vida senão na puta liberdade da sua inspiração. E, antes que alguém pretenda agrilhoar minha palavra, grito a todos os pulmões, que a puta inspiração e o puta poeta devem ser, obrigatoriamente, fiéis! Assim, como um casal enamorado, que já não mais se consegue separar; onde um nada consegue ser sem o outro. Em nenhum momento refiro-me à promiscuidade, que gera a ausência de personalidade poética, sob a vestimenta do PLÁGIO – vício e crime social.

Sou poeta com uma puta inspiração, exercitando-me todos os dias, sob o desígnio de chegar a ser uma puta poeta. Decidi através dos meus poemas expressar o verdadeiro significado do Amor e da Paz. Por tal razão, o cognome escolhido - Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz.

PARABÉNS, PELO DIA NACIONAL DA POESIA!!!
Texto escrito em:
São Paulo, 5 de fevereiro de 2010 - 15h16


Fundo musical: Ernesto Cortazar. You are my destiny

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Enviado por Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz em 24/04/2010
Alterado em 04/05/2017
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