Textos


Violência de gênero: a mulher em foco
Professora Sílvia Mota
Poeta e Escritora do Amor e da Paz

 
A violência doméstica é possivelmente a maior nódoa social que prospera em diversos países. Ainda que esse abuso não ocorra somente nas relações conjugais e permeie a vida social como um cancro doloroso, a violência contra a mulher é realidade latente no corpo social e provoca a opinião pública.
 
Conquanto difícil desvencilhar-se do círculo vicioso, é necessário fazê-lo. À Família, à Sociedade e ao Estado cabe o dever de um olhar diferenciado para essa situação, que corrói a alma e dilacera o espírito. O SILÊNCIO por parte da vítima apenas alimenta o animus covarde do criminoso.
 
Numerosos estudiosos dedicam-se a determinar as causas e as fases do fenômeno, sobretudo, para conscientizar e garantir que a vítima e seus parentes sejam capazes de detectar os casos antes que ocorram tragédias fatais.
 
A violência de gênero não somente se trata da evidente agressão física, com a qual comumente a identificamos, mas versa, ainda, sobre a agressão psicológica, que, ademais, constitui sua origem. Através de insultos e outras formas vexatórias, os agressores estabelecem uma evidente posição de domínio. Assim, por exemplo, indicam às mulheres como deverão vestir-se ou lhes deixam clara sua inutilidade fora do trabalho doméstico, assim como sua inferioridade intelectual. Pouco a pouco, afastam-nas das vivências familiares e sociais, para impor-lhes a reclusão caseira e impedindo-lhes que, na maioria dos casos, trabalhem fora. Conseguem que perca todo o contato com uma realidade objetiva e levam-nas a converterem o lar em seu único mundo, fora do qual sentir-se-ão desprotegidas.
 
Depois do maltrato psicológico, vem o físico, que se apresenta a partir de leves bofetadas, que evoluem para espancamentos contínuos. Normalmente, escudam-se os agressores num estado de embriaguez, atrás do qual se desculpam e se arrependem visivelmente. Nos casos extremos, por desgraça e demasiado frequente, a violência desemboca no assassinato, particularmente, se a vítima se rebela, seja através de denúncia judicial ou contando-a a alguém que julgue capaz de ajudá-la a escapar do inferno ao qual é submetida. As causas que não chegam à denúncia ou que se façam demasiadamente tarde radicam geralmente no isolamento que sofre a vítima. Esse isolamento provoca, por um lado, repete-se, a insegurança da vítima em sair de casa e se acredite incapaz de viver independente do homem; e, por outro lado, que essa realidade seja a única e que a considere correta. Literalmente, transformam-se essas mulheres em zeros à esquerda, como indicam, diariamente e a todo o momento, seus algozes.
 
As motivações que movem o carrasco trafegam por diversas causas. Geralmente, são indivíduos que sofreram violência, de alguma forma, durante a infância, época decisiva na formação da personalidade - foram vítimas diretas ou testemunharam o abuso do pai contra a mãe.
 
No Brasil, graças às investigações e descobertas sobre o comportamento dos criminosos, bem como a atenção dada pelos meios de comunicação, ocorre atualmente uma forte consciência social, que ajuda a aumentar o número de reclamações a cada ano. Isso demonstra que as vítimas ousam denunciar, o que não acontece em muitos países, nos quais se os números são mais baixos, isso decorre da falta de reclamações.
 
As leis promulgadas em anos recentes, ainda que insuficientes, são um primeiro passo. Os tribunais exclusivamente dedicados a esses casos, as linhas diretas de denúncia que são anunciadas nos veículos de comunicação, até os informativos ou as medidas de restrição e proteção da vítima, embora necessitem de melhorias na sua eficiência e diligência devem ser levados em consideração, porque há alguns anos nem sequer existiam. Na verdade, não se deve culpar exclusivamente a administração, porque a raiz do problema é social. O machismo enraizou-se de tal forma, que continua palpável, a afrontar os progressos a favor da concretização dos direitos das mulheres. A esse respeito, pode-se citar que embora as mulheres tenham acesso ao mercado de trabalho, continuam a ganhar menos, ainda que exerçam posições de igual responsabilidade àquelas exercidas pelos homens.
 
A herança da sociedade nacional, que tradicionalmente gira em torno do masculino, persiste de tal maneira que, às vezes, chega-se a qualificar, desdenhosamente, o feminismo exacerbado, o que não é mais do que o desejo de ajudar a essas mulheres em situação de violência. Centrar-se na violência sobre as mulheres em detrimento da que se exerce sobre os homens, não é desprezo a esses, mas ocorre porque os casos são mínimos em relação aos maus-tratos travados contra as mulheres.
 
Há de se reconhecer que o papel social ainda é nefasto, pois alimenta o machismo. Considera-se também abusiva a seguinte colocação, por parte de algumas pessoas: "Não sei como uma pessoa tão inteligente e preparada, se permite cair e permanecer numa situação dessas!" Oras, os abusos ocorrem, sejam as vítimas: inteligentes ou limitadas, belas ou feias, jovens ou velhas, magras ou gordas e assim por diante. Tudo dependerá do momento de fragilidade que estejam a viver. Isso é PRECISO ser compreendido e levado em consideração. Ignorar essa condição é uma forma de omissão - porque é mais fácil ignorar o problema alheio. A verdade, é que o opressor sempre se aproveita do bom caráter das vítimas, dos seus medos, das suas necessidades temporárias e dos seus pudores em enfrentar o julgamento social.

As soluções passam, assim, pela educação e a conscientização, que devem ser incentivadas. Não somente há de se fazer compreender às vítimas sua insustentável situação, com a necessidade e a possibilidade da denúncia, mas também conseguir que o resto da população reconheça como crime os casos que ocorrem ao seu derredor e que saiba como atuar corretamente sem que ocorram situações ainda mais complicadas ou nefastas.

 
Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro, 26  – 27 de agosto de 2016 – 3h12
Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Enviado por Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz em 27/08/2016
Alterado em 27/08/2016
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