Meu Diário
06/07/2016 01h28
1°-06-1968 - Concurso de Miss Estudante do Vale do Paraíba

1° de junho de 1968 (16 anos) - Sílvia Mota - Concurso Miss Estudante Vale do Paraíba.

Quando Miguel Castro, um grande amigo da família, foi até a minha casa convidar-me (para o papai, claro!) para participar do concurso, eu realizava um trabalho de biologia, com uns desenhos bonitos e nessa tarefa continuei. A visita foi muito formal e não me permitiram participar da conversa, mas mamãe corria para lá e para cá contando-me as reações do papai. Ao final, disse-me que permitira e até sugerira a cor do vestido - rosa choque - que, a partir do seu pensamento, combinaria com a cor da minha pele. Ao final, vestiram-me de dourado... Bom dizer, que papai somente permitiu minha candidatura, porque não haveria desfile de maiô - as concorrentes eram muito jovens... kkkkk

À época, meu irmãozinho Salvador Augusto emagrecera muito e começara a mancar, da perna direita, mas não sabíamos ainda a respeito do câncer. Por tal motivo, participei do concurso. Foi muito rápida a evolução da sua doença. Triste demais. Lembro-me bem...

O vestido foi confeccionado por Dna Eunice, todo em fio metálico dourado, com apliques de flores douradas em paetês e canutilhos importados. Mamãe assim o idealizou, para que no momento em que entrasse na passarela, sob as luzes dos holofotes, reluzisse como uma flor dourada! Os brincos, criados com inspiração nessas flores, luvas de cetim preto com sapatos de gorgurão na mesma cor e meias finas douradas (um luxo, para a época!) completavam o look da mocinha de Piquete, que tremia sem parar. Afinal, era o meu primeiro desfile pelas passarelas! Tudo lindo, pois Mamãe tinha muito bom gosto, nesse sentido! Mas, para contrariar os seus planos, por motivos que ninguém sabe até hoje, fui a única candidata a desfilar sem música e sem as luzes dos holofotes. Também, enquanto desfilava, não leram a síntese das minhas habilidades (ou qualidades), como ocorreu com as demais candidatas.

Vivíamos a era dos transplantes de órgãos e, no momento das entrevistas com as candidatas, a Miss Estudante de Guaratinguetá foi perguntada a respeito do primeiro transplante de coração realizado no Brasil pelo Dr. Zerbini, em 25 de maio de 1968. A mim, perguntaram sobre minha experiência com os esportes, o que aborreceu muito meus pais, pois ainda que muito jovem, reunia talento para questionamentos mais elaborados.

Fiquei em segundo lugar.

Meu pai, inconformado, retirou-me do baile, como se fosse a Gata Borralheira, mas não antes de pedir ao Tio Carlinhos, que dançasse comigo, mais uma vez. Meu tio exibiu-me o mais que pode, principalmente, frente à mesa dos jurados.

Dias depois, encontrei-me com papai, na Praça da Bandeira, dizendo aos seus amigos aposentados, que nunca mais sua filha participaria de concursos de beleza:

- As ruas de Piquete, daqui para a frente, serão a sua passarela.

E, assim foi.

*************************************************

Observação interessante:

Piquetenses participantes do concurso: Sílvia Mota, Lígia e Sidneia Pereira.

À época, existia uma frase de caminhão a passeio pelas estradas de São Paulo: "Se moça bonita fosse flor, Piquete seria um jardim"... rsrsrs...

As Misses vencedoras:

Sílvia Mota (Segundo Lugar, vestida de dourado) e Lígia (Primeiro Lugar, de azul), ambas de Piquete. A candidata que ficou em Terceiro Lugar (à direita, também de azul), era de Guaratinguetá.


Publicado por Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz em 06/07/2016 às 01h28
Copyright © 2016. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Imagem de cabeçalho: jenniferphoon/flickr